Semana Santa: Do Calvário a Ressurreição, vamos com Cristo para a vida nova

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Estamos nos aproximando do momento ápice da nossa fé, que dará início no próximo domingo, com a Procissão e Missa de Ramos, e se culminará com a Ressurreição de nosso Senhor. Depois de passarmos pelo deserto, vivenciando a Quaresma, suportarmos a tentação e voltarmos o nosso interior para a busca de nossa santidade, de forma mais intensa, agora, adentramos o mistério máximo da nossa história. É isso mesmo! Da minha e da sua história de salvação, na qual, Jesus, um Deus feito homem e suscetível a todo sofrimento, se deu num caminho cruel de humilhações, flagelos, dores e morte, simplesmente, por nos amar com perfeição.

 

No Domingo de Ramos, comemoramos a entrada triunfal de Jesus, em Jerusalém, fazendo memória aos ritos da época. “E trouxeram a Jesus o jumentinho, sobre o qual deitaram seus mantos e fizeram Jesus montar. À sua passagem, muitas pessoas estendiam seus mantos no caminho. Quando já se ia aproximando da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, tomada de alegria, começou a louvar a Deus em altas vozes, por todas as maravilhas que tinha visto. E dizia: Bendito o rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória no mais alto dos céus” (Lc 19, 35-38)! Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo O aclamava “Rei dos Judeus”, “Hosana ao Filho de Davi” e nós, revivendo toda a mística sagrada, também realizamos a Procissão dos Ramos, gritando “Hosana nas alturas, Hosana ao Rei”.

Já com o espírito voltado para a sacralidade desta semana, na Quinta-feira Santa celebramos a Instituição da Eucaristia. Com a Missa da Ceia do Senhor, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal, e comemora a Última Ceia, na qual Cristo, na noite em que ia ser entregue, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue, sob as formas de Pão e Vinho, e os entregou para os seus amigos, os apóstolos, para que os tomassem. Dessa mesma maneira, deveriam, a partir dali, dar continuidade ao rito com seus sucessores, o que também nos relembra a instituição da missão do sacerdócio. “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. (…) Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós(…)” (Lc 22, 17-20)

Também, durante essa Missa, ocorre a cerimônia do “Lava-Pés”, que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos. A Palavra nos revela: “(…) levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!… Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve” (Jo 13, 4-7). A homilia tem sua peculiaridade e é chamada do “Mandato” ou do “Novo Mandamento” e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus. Após a Santa Missa, as imagens são cobertas e iniciamos a chamada “Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento” para que seja adorado durante toda a noite. Nesse dia, ainda não podemos nos esquecer da bênção dos santos óleos do Crisma, dos catecúmenos e dos enfermos, realizada em todas as dioceses.

Já na Sexta-Feira Santa é lembrada e rememorada a Paixão do Senhor, em uma celebração que se inicia, exatamente, às 15h. Faz-se importante ressaltar que é o único dia no qual a Igreja não celebra a Santa Missa, mas sim, as “Funções da Sexta-feira da Paixão” ou “Exaltação da Santa Cruz”, como é comumente chamada. Nela, fazemos, primeiramente, a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal, feita por todas as pessoas de todos os tempos, seguida da adoração da Santa Cruz, que relembra todo sacrifício de amor de Cristo; esta pode ser feita somente pelo sacerdote e assistida pelos presentes ou com o beijo na Cruz, por todos os fiéis. Por último, vivemos a Comunhão Eucarística. Todas as etapas enaltecem o memorial da Paixão e Morte de Jesus.

Enfim, no sábado, acontece a Vigília Pascal, considerada a mais importante das vigílias do ano litúrgico. Na noite em que Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vigília e oração. Nessa solenidade, se recordam as dores de Nossa Senhora, desde o nascimento de Jesus até o Calvário, e é celebrada a Missa da Ressurreição do Senhor, que é precedida pela bênção do Fogo Novo e do Círio Pascal, benção da água Batismal e Renovação das Promessas do Batismo. Daí em diante, a Igreja festeja, com júbilo e fervor, a Ressurreição do nosso Deus; voltamos a cantar o “Glória” e as imagens são descobertas novamente. “Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro. Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar. Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre)”. (Jo 20, 11-16)

Assim, finalizamos mais uma Semana Santa, dentro do calendário litúrgico. Porém, saímos mais convertidos e santificados, porque, por mais uma vez, morremos e ressuscitamos com o Rei dos Reis. Do deserto ao calvário, Ele sempre nos quis amar e fazer-nos amar: este foi o grande objetivo de tudo. De presente, ganhamos a salvação eterna e devemos lutar para não perdê-la. Somente revivendo os passos do Salvador, chegamos ao triunfo da vida com Ele.