5º Domingo da Quaresma – Perder para ganhar

Não há caminho em Cristo que não passe pela cruz.

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Às vésperas da Semana Santa, que será nosso mergulho profundo nos mistérios da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a liturgia da Igreja nos coloca diante da contradição salvadora que envolve o sacrifício da cruz. Sob o ângulo da cruz, é preciso morrer para alcançar a vida. É preciso passar pelo Calvário, lugar de dor e sofrimento, para que alcancemos a alegria da ressurreição.

São Paulo define com precisão o momento em que nós formos salvos por Cristo. O Messias viveu entre nós e fez muitos milagres, mas é “na consumação de sua vida, [que Ele] tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hb 5, 9). Foi preciso, portanto, que Cristo não apenas nos amasse e viesse ao mundo terreno por nós, mas que Ele aqui se consumisse inteiramente por amor a nós, ao ponto de abraçar a loucura da cruz, cumprindo inteiramente a vontade do Pai.

Dessa forma, Cristo inaugura com seu próprio sangue uma nova aliança. Pelo seu sacrifício, a lei desta nova aliança não está mais escrita em tábuas de pedra, pois Ele cumpriu a profecia que diz: “imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de escrevê-la em seu coração” (Jr 31, 33). De fato, a cruz de Jesus imprime em nossos corações a lei do novo testamento: a lei do amor que se dispõe ao sacrifício pelo outro.

O seguimento deste novo mandamento exige de nós, discípulos de Cristo, a imitação do caminho do mestre. Assim como Cristo, que livremente ofereceu a sua vida a Deus por nós, somos todos vocacionados a oferecermos a nossa própria vida a Cristo, pois, sem essa oferta, não haverá vida alguma. Como nos ensina o belíssimo evangelho deste domingo, “quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12, 25). Somente perdendo a vida por amor a Cristo e aos irmãos encontraremos a vida verdadeira e eterna.

Peçamos a Deus, que sempre nos precede no amor, a coragem para perdermos em nós a vida velha, a fim de encontrarmos a vida verdadeira em Cristo. Que os nossos corações, purificados pelas práticas quaresmais e desapegados de qualquer superficialidade mundana, possam se unir ao coração transpassado de Jesus em uma firme e verdadeira oferta de todo o nosso ser a Deus.

Virgem Santíssima, Mãe do Perpétuo Socorro, rogai por nós!