1º DOMINGO DA QUARESMA: Jesus e as tentações

Fazendo-se o homem, Jesus experimentou a realidade da tentação. Diante das sedutoras propostas de Satanás, Ele vence as armadilhas malignas olhando para a Verdade.

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A liturgia deste domingo contrapõe Antigo e Novo Testamentos de maneira singular. De um lado, a figura de Adão que, tentado no Paraíso, cedeu à mentira do Demônio e optou por desobedecer a Deus. De outro lado, a pessoa de Jesus que, tentado no deserto, confrontou o mesmo Demônio e optou pela obediência incondicional ao Pai. Ao contemplar esta perfeita harmonia na história da salvação, o Apóstolo Paulo concluiu “como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida” (Rm 5, 18). De fato, em Cristo, crucificado e ressuscitado, toda a humanidade encontra um caminho de redenção.

Esta redenção exige a aceitação da pessoa de Jesus e da verdade que Ele nos revela. A grande arma utilizada pelo Demônio para tentar seduzir Adão, Jesus e cada um de nós é a mentira. Ao retomarmos a narrativa do primeiro pecado, encontramos a mais primitiva de todas as mentiras: “Vós sereis como Deus” (Gn 2, 5). Em verdade, ou homem aceita o único e verdadeiro Deus e a ele se submete, ou construirá para si deuses estranhos, inclusive tornando-se deus de si mesmo.

Na tentação do deserto, a mentira de Satanás assume uma forma tríplice. Sua armadilha consiste em tentar substituir Deus por três impulsos humanos: o prazer, o poder e o ter. Jesus desmascara esta artimanha revelando-nos a Verdade. Frente à tentação do prazer, representado pelo pão oferecido por Satanás, Ele nos faz enxergar que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4, 4). Ante a tentação do poder, representado pela autossuficiência em lançar a si mesmo do alto do templo, Ele nos recorda que o Senhor Deus é soberano e onipotente, portanto não deve ser tentado. Por fim, diante da idolatria do ter, quando o Demônio lhe oferece todos os reinos do mundo, Ele decididamente contesta “adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto” (Mt 4, 10).

Neste tempo quaresmal, peçamos a Deus a graça de crescermos no conhecimento da Verdade e na rejeição às propostas do Demônio. Que possamos renuncias aos prazeres passageiros desse mundo em vista da alegria eterna reservada para nós. Renunciamos, também, a soberba e a autossuficiência, reconhecendo-nos humildemente como pecadores necessitados da misericórdia do ai. Renunciemos, por fim, à idolatria de colocar os nossos bens materiais acima de Deus e abramos o nosso coração para a caridade fraterna e a partilha.

Virgem Maria, Mãe do Salvador, rogai por nós!